ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 576 - 9/2/2010
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A "indústria da crise" contamina a mídia nacional
Postado por Carlos Castilho em 15/5/2009 às 16:21:58
 
 

A gripe H1N1 (ex-gripe suina) está sumindo do noticiário deixando no ar uma série de perguntas não respondidas e principalmente a sensação de que foi mais um de uma sucessão de eventos midiáticos onde nós todos somos espectadores e protagonistas involuntários.

 

A gripe foi apresentada durante várias semanas como uma gravíssima ameaça à humanidade, provocando a adoção de medidas que beiravam a histeria coletiva. De repente,as notícias minguaram, foram se tornando escassas, num processo muito similar ao que aconteceu com a chamada turbulência econômica global.

 

Tanto num como noutro caso houve um impacto inicial provocado por declarações alarmistas de autoridades diversas, seguidas por um bombardeio noticioso por parte da mídia gerando temor, preocupação e reações de todos os tipos entre os consumidores de informação.

 

Mas o que mais surpreende foi a forma como ambos os temas sumiram da agenda da imprensa, deixando no ar uma dúvida básica: será que eles eram tão relevantes como pareciam inicialmente?

 

Se não foram, faltou serenidade da imprensa e das autoridades para dar tanto à crise econômica mundial como à “epidemia” de gripe a sua dimensão real, poupando a população de um estresse desnecessário.

 

Mas se ambos os processos são tão graves quanto o quadro pintado inicialmente pela mídia e pelos governos, então os nossos com comunicadores e autoridades estão agora agindo irresponsavelmente ao deixarem a população sem o necessário seguimento informativo.

 

A sucessão recente de grandes eventos mundiais e nacionais segue uma mesma rotina efêmera e indica que a mídia e as autoridades, tanto políticas como corporativas, criaram o que poderíamos chamar de “indústria da crise”, ou seja, uma estratégia para buscar objetivos, nem sempre claros, usando como ferramenta principal os temores e inseguranças das pessoas comuns.

 

Outra característica comum de toda excitação informativa provocada pela combinação de interesses entre autoridades e imprensa é a despreocupação generalizada com as soluções. Grandes escândalos como o mensalão e outros sumiram da mídia e o que se vê são os principais acusados recuperando gradualmente o antigo status.

 

Mais uma vez fica a dúvida. Ou a acusação e os escândalos eram infundados e a mídia foi cúmplice em jogadas políticas escusas, ou tudo era verdadeiro e agora assistimos a uma irresponsável absolvição branca dos culpados. Onde está a função fiscalizadora da imprensa?

 

De dúvida em dúvida vamos começando a construir uma certeza: a de que a mídia e as autoridades estão chegando perigosamente perto do descrédito generalizado. A busca frenética por situações capazes de garantir visibilidade para os tomadores de decisões — e novas receitas para os formadores de opiniões — começa a tornar nítido o divórcio entre os interesses dos que têm poder e os desejos ou necessidades da população.

 

A ampliação da indústria da crise movida por interesses oficiais e corporativos pode, no médio prazo, contribuir para o desenvolvimento de uma paranóia coletiva, do tipo da surgida logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

 

Sem confiar nas informações da imprensa e das autoridades, a população sente-se órfã e pode repetir comportamentos irrefletidos como no fatídico dia 15 de maio de 2006, em São Paulo. Naquela segunda-feira, milhões de paulistas, assustados por uma onda de boatos e pelo sensacionalismo midiático sobre ações do crime organizado, simplesmente entraram em pânico e correram para suas casas, num toque de recolher não declarado.

 

O antídoto pode ser o sistema horizontal e descentralizado de informações criado pela internet. Mas como ele ainda é incipiente no Brasil, tanto pode funcionar a favor como contra. No caso do toque de recolher em São Paulo, o email e o MSN foram um ativador da insegurança ao propagar boatos. Mas no caso da gripe, os mexicanos deram uma lição de como usar a Web para evitar o pânico coletivo. 
Comentários (21)
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André  Nunes, Administrador (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 19/5/2009 às 07:03:14

Todas as crises são chances de quebrar um pouco do brilho do governo. Esta parece ser o lema incentivo para a mídia. Quando o país estava envolto no medo da gripe suína visitei o site da OMS (Organização Mundial de Saúde) para pesquisar a gripe aviária a mais recente epidemia que segundoa a mídia arrasaria a humanidade. Em seis anos esta gripe infectou 424 pessoas e matou 251 em 14 paises diferentes. Lembrei também da epidemia de cólera que poderia assolar o Brasil em algum período da década de 90 e do tsunami financeiro que depois de arrasar a economia norte americana faria frangalhos da frágil economia brasileira. Talvez seja o momento mais oportuno para imprensa de modo geral reavaliar seu foco e seu comprometimento com a sociedade. A Internet está nos seus calcanhares e a cada alarme falso como estes últimos citados um certo número de telespectadores e leitores abandona os veículos tradicionais. A minha previsão alarmista é que em poucos anos jornais e até TVs irão recorrer ao governo federal em busca de verbas que possam garantir a sua subsistência. Com o descredito crescente é praticamente impossível aumentar o númeo de leitores ou arrecar mais verba publicitária.
Julio  Valerio Neto, produtor TV (Andradas/MG)
Enviado em 19/5/2009 às 00:58:25

E a Dengue que vem se transformando em endemia na America do Sul, faz vítimas todos anos aos milhares nas nossas vizinhanças a cada verão, a mídia se cala quando deveria cobrir incessantemente, nao apenas nos periodos de surto e tragédia.
Talita  Barros, Jornalista (Duque de Caxias/RJ)
Enviado em 18/5/2009 às 19:37:53

Cristiane, eu sou uma nostálgica. Adoro os jornalistas da antiga e tenho muito respeito pelo legado que deixaram. Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Antônio Maria, João do Rio, Trumam Capote são os meus queridinhos. Gosto muito deles pela falta da objetividade que tanto é difundida pelos jornalistas atuais. Essa isenção me deixa muito irritada por que muitas vezes discordo completamente de algo que estou cobrindo e simplesmente tenho que engolir aquilo a seco. Hoje as informações estão por aí. Há jornalistas, blogueiros, pensadores e outros nem tanto difundindo idéias. Acho que a falta de posição dos jornalistas aliada a essa propagação desenfreada de informações dificulta e muito o processo de credibilidade jornalística. Mas o tom panfletário é extremamente caótico. O Brasil viveu isso na época da independência, período regencial, e também teve lá seus problemas. Nenhum extremo é bom. Acho que esse modelo [objetivo] já está caducando. Vejo que precisamos transitar a uma coisa que infelizmente ainda não sei no que vai dar e se vai dar. Essa é apenas minha análise, minhas impressões do fazer jornalístico. Uma coisa é fato: precisamos voltar a enxergar as pessoas, saber que estamos escrevendo para pessoas interessadas em informações [corretas, comprometidas com a verdade] e que merecem o nosso respeito. O jornalismo está muito burocrático. Precisa daquele contato com a rua...
Talita  Barros, Jornalista (Duque de Caxias/RJ)
Enviado em 18/5/2009 às 19:37:02

com a vida real, da conexão tão importante entre o jornalista e a população, totalmente diferente daquela relação superficial das matérias de buraco na rua que aparecem na TV. Muito toscas. “Já viram um jornal por dentro? Vale a pena... uma redação é ressoante como uma colméia de máquinas de escrever [hoje, computadores]. Cada um de nós é um datilógrafo excitadíssimo. E o pior é que ninguém para, não há uma pausa, um suspense, nada. Um amigo entrou na redação, e fez a pergunta aterrada: - “Vocês não pensam?” Não, não pensamos. O jornal é uma batalha contra o horário. Ninguém tem tempo de pensar... são duzentas, trezentas ou quatrocentas figuras, entre redatores, repórteres, estagiárias. Todavia falta alguém na selva humana. É o “grande jornalista”. Faça, uma pesquisa. Leiam os jornais, da primeira à última página, inclusive os anúncios de missa”, e não acharemos o ‘grande jornalista”. Dirão vocês que ainda existem..., mas são figuras tão solitárias e como que espectrais. O resto, ah, o resto é tão impessoal, tão nivelado, tão massificado”. Nelson Rodrigues.
iza  souza, Tec em Informática (Nepre/MG)
Enviado em 18/5/2009 às 18:09:30

"Tanto num como noutro caso houve um impacto inicial provocado por declarações alarmistas de autoridades diversas, seguidas por um bombardeio noticioso por parte da mídia gerando temor, preocupação e reações de todos os tipos entre os consumidores de informação. " Estou curiosa! O sr. poderia nos informar qual "autoridade" do governo deu "informações alarmistas"? O que o sr. está querendo? Colocar todos no mesmo saco? O que vi até agora foi o governo tentando diminuir o TERRORISMO da mídia corporativa. Se quiser, lembro-lhe dezenas de matérias terroristas da mídia desde que esse governo Lula assumiu. É vergonhoso o que a imprensa está fazendo. Estou chegando a uma conclusão, a imprensa acha mesmo que somos todos Hommer Simpsons. Perca um pouco de seu tempo e pesquise. Verá que suas afirmações contem meia verdade.
Antonio Carlos  Pinheiro, servidor público (Brasília/DF)
Enviado em 18/5/2009 às 15:42:17

"Grandes escândalos como o mensalão e outros sumiram da mídia e o que se vê são os principais acusados recuperando gradualmente o antigo status". Grandes escândalos como Daslu, Camargo Corrêa e Merenda Escolar da Prefeitura de SP, sequer tiveram o mesmo espaço que o "mensalão". (por que será?). "a mídia e as autoridades estão chegando perigosamente perto do descrédito generalizado." Pra sua informação a mídia burguesa já perdeu o crédito há muito tempo. Quanto as autoridades, estamos aprendendo a separar o joio do trigo.
henrique  rodrigues, estudante (americana/SP)
Enviado em 18/5/2009 às 13:15:38

Assim foi com a crise dos alimentos (a gente ia morrer de fome, lembra?), sucedida pela crise mundial, intercalada com o caso da brasileira atacada por nazistas na suíça, sucedida pela gripe suína... Muita gente não gosta do michael moore, mas ele já cantou essa bola no tiros em columbine.
Marcelo  Ramos, Publicitario (São Paulo/SP)
Enviado em 18/5/2009 às 12:19:07

Comentando o comentário do Castilho, abaixo, eu diria que contratar um serviço de banda larga de internet por provedor de celular ainda é caro... a expectativa é que o preço baixe mais e se popularize. Mudando de assunto, alguém viu, nos grandes portais e/ou jornais a notícia de que o presidente do Brasil recebeu um prêmio da Unesco pela paz? E que é muito provável que ele receba também o Nobel da Paz? Pois é, mais uma não notícia que o povo brasileiro merece saber. Mas como a mídia já tem a "campanha 2010" como pauta, é muito difícil darem essa notícia. Mas o público, que não estamos em campanha, queremos continuar sabendo das notícias. Minha sugestão é que o OI repercuta isso de alguma forma, até como uma maneira de "crítica" à grande mídia. E sugiro também que todos os blogs que não se conformam com essa nova forma de "cabresto" repercutam essa notícia.
Águeda Cristina  Martins, estudante de jornalismo (Alfenas/MG)
Enviado em 18/5/2009 às 09:59:13

A “Indústria da crise’’ assim como a “Sociedade do Espetáculo’’ são fins escusos de um mesmo conceito: a cupidez. Jornalistas, médicos, autoridades fizeram da doença um trampolim para se situarem à frente dos holofotes. Discursos bem montados e respaldados por profissionais da área da saúde fizeram-se corriqueiros nas falas de autoridades que juravam ter um caso da gripe em sua cidade/país. As especulações tão presentes no noticiário contou, na famigerada gripe suína, com representantes do mais alto escalão da OMS, de representantes de governos de países desenvolvidos e de outros espertalhões. Nota-se que o caso não confirmado da doença tornou-se o enredo da novela mais comentada em botecos, nos supermercados e nas ruas. A fala desse ou daquele governante, alertando sobre os riscos de uma pandemia, transformou a rotina de muitos ( como o dos que precisam viajar para os lugares considerados altamente propensos a manifestação vertiginosa da gripe) A irresponsabilidade de se noticiar uma pandemia da gripe H1N1 esteve presente em grande parte do noticiário, causando transtorno à população que ainda na imprensa acreditava. Mais uma vez, infelizmente, assistimos à espetacularização de um tema que deveria ser tratado com mais responsabilidade e cuidado por nossos jornalistas.
Carlos Eduardo  Sampaio, Arquivista (Fortaleza/CE)
Enviado em 17/5/2009 às 22:25:32

E nós, telespectadores, temos que ficar com a cara embasbacada, depois de tanta neurose, ouvir dos srs jornalistas William Bonner e Fátima Bernades, dizerem que a gripe suína é mais fraca que uma gripe comum. Aqui em casa nem minha avó, que é hipocondríaca, deu crédito ao distinto casal da TV.
Thiago  Vieira, Estudante de Jornalismo (Aracaju/SE)
Enviado em 17/5/2009 às 16:03:42

Olá, Castilho. Concordo muito com você quanto à evolução do acesso da população à Web. Mesmo eu, que não tenho um smartphone, sou um "heavy-user" da Web-móvel. E posso acessar a Web "tradicional" com o uso de certos programas, como o Opera Mini. Mas fiquei intrigado com uma coisa: por que o provedores de conteúdo precisam brigar com as Telecoms? Quero dizer, elas não estão em locais diferentes do mercado de informação?
Shelen  Almeida, Estudante de Comunicação Social - Jornalismo (Rio Piracicaba/MG)
Enviado em 17/5/2009 às 12:30:38

Bom, há dias atrás ouvi de um amigo que a mídia brasileira estaria dando uma atenção à "gripe suína" voltada a manter informações deixando a população, ora com sentimento de caso estável, ora como se a sociedade estivesse totalmente à mercê de uma epidemia. Inicialmente discordei por considerar que as informações estariam sendo passadas de forma clara visando orientação a essa mesma sociedade. Hoje penso que a mídia está deixando a desejar no qe diz respeito a informções sobre o andamento do caso. Normalmente tenho continuado a ler sobre o assunto na Net, mas acredito que a mídia televisiva é importantíssima para iniciar informações sobre um problema, mas também para tranquilizar e finilizar o mesmo assunto. Dessa forma a sociedade seria informada de uma forma geral e necessária!
Cristiane  Mota, Psicóloga (São Paulo/SP)
Enviado em 17/5/2009 às 11:19:28

Talita, o que vc disse é exatamente o começo do que sonho em ouvir e ver mais e mais: que existem jornalistas fazendo a sua parte! Muitos de nossos problemas são inerentes ao modelo social que adotamos, então o que precisamos é de mais bons exemplos ganhando tanto destaque quanto os maus. Buscar informação diariamente e encontrar o que há de pior no comportamento das pessoas é importante para não nos tornarmos alienados, mas também saber quem e o que está sendo efetivamente feito para cessar a tal "crise do jornalismo" seria maravilhoso para evoluirmos. Vocês que são "da área", podem me ajudar a conhecer também o que está sendo feito de bom? Eu agradeço se receber algumas dicas!
Thiago  Vieira, Estudante de jornalismo. (Aracaju/SE)
Enviado em 16/5/2009 às 22:20:53

Tenho bastante confiança que a livre circulação de informações entre indivíduos e grupos propiciada pela internet possa ajudar em muito esta situação a melhorar esta situação. Mas duvido que o jornalismo on-line vá dar conta do recado. Celeridade e falta de profundidade nas "hard news" são a nota de caixa. Mas o principal problema é que os grandes portais de notícias também pertencem aos grandes Midas de outrora. Estamos na mesma. Na minha opinião a solução para matar o dragão é incentivar ações como a do CDI, para o acesso de grande parte da população às informações da web (pergunta: Quando grande parte da população tiver acesso à Web, ela vai se interessar por este tipo de discussão?) e o surgimento de um sistema de validação e ranqueamento de noticias como o Digg em língua portuguesa. Tirar das mãos dos donos dos meios de comunicação a avaliação do que realmente é importante para nós é a a Lança de São Jorge. PS: Castilho, como você acha que as Telecoms vão se comportar quando ocorrer (verdadeiramente) o BOOM da web no Brasil?
Comentário do Autor
Thiago, tudo vai depender da quebra de braço entre os provedores de conteudo e as telecoms. Elas frearam durante muito tempo a expansão de sistemas como o WIFI e o WIMAX porque eles ameaçavam e ainda ameaçam o negócio da telefonia. Por outro lado, os celulares avançaram muito em materia de acesso à internet. Hoje já está começando a valer mais a pena assinara banda larga por uma operadora de celular do que pelo DSL por linha fisica. Ai as TELECOMs passam a ocupar um espaço muito importante. Mas no futuro não muito distante, o que vai definir o exito ou fracasso de um negcócio é o fornecimento de conteudos. O acesso deve cair muito de preço porque a tecnologia fica muito barata quando se dissemina. Ai é que vamos ver o que acontecerá com as Telecoms, se elas ainda terão força para bloquear concorrentes. Um grande abraço e volte sempre. Castilho
Marcelo  Ramos, Publicitario (São Paulo/SP)
Enviado em 16/5/2009 às 18:48:43

Eu creio que o vírus que contamina a mídia se chama de eleições 2010. Tendo com ponta-de-lança as organizações Globo, e agora que foi protocolado o pedido de CPI para investigar a Petrobrás, é muito previsível que a "pauta" vai mudar de direção. Aqui nao da pra usar a palavra midia como generalizante, eh preciso especificar. Sao os donos da midia, em realidade. E existem muitas teorias sobre manipulacao de massas e de noticias que serao postas em pratica nos proximos dias. Vai ser uma corrida vertiginosa para adiantar as eleicoes. Como a oposicao nao tem como apresentar nada de novo, vai usar a tatica antiga... falar mal contando com o impacto das primeiras paginas de jornais que sabem muito bem onde canta o galo. Jornalistas do bem, fiquem atentos... para pensar, ao inves de serem pensados.
Mauro  Nogueira, revisor (São Paulo/SP)
Enviado em 16/5/2009 às 16:24:12

A crise de credibilidade das autoridades e da imprensa têm um lado muito positivo; a mudança forçada, pois só assim, ou seja, quando uma emissora de tv sabe que a perda de credibilidade afeta diretamente seu bolso, diminuíndo o valor de seu espaço publicitário, ou quando o político se vê em risco de não se reeleger... em outras palavras... quando a água bate na b.
Talita  Barros, Jornalista (Duque de Caxias/RJ)
Enviado em 16/5/2009 às 15:23:42

Às vezes parece que escrevo para não ser lida. Perco muitas vezes a mão do que estou escrevendo e falando porque simplesmente existem outras cabeças [chefe, orientação a ser dada na matéria] pensando comigo na hora de fazer uma entrevista. A credibilidade... Nem eu acredito no que escrevo muitas vezes, não por inventar ou omitir alguma informação, mas por ser superficial e não escrever uma notícia tal como gostaria. O jornalismo foi posto em um formato no qual todos pensam do mesmo modo. É só ler a mesma notícia em vários jornais. Todas as matérias têm o mesmo primeiro parágrafo. A investigação requer muitas coisas: fonte, planejamento e tempo... Este último, nós não temos. Muitas vezes sabemos o que vamos cobrir um pouco antes de fazer a matéria. Aí vamos e recorremos à matéria de outros jornalistas, que são tão superficiais quanto eu mesma. O tempo e o pensamento, que eu considero tão importantes no fazer jornalístico, são raros. Temos uma imensa preocupação em divulgar as notas oficiais de secretarias, governos, polícia etc. E a realidade, quase sempre, está muito longe dessas cretinas notas oficiais. Descrédito, essa é a palavra. Foi o que mais me chamou atenção no texto. E à psicóloga que postou um comentário, eu digo que há jornalistas que estão precisando e procurando as respostas para si mesmos. Essa é uma profissão em crise!
Talita  Barros, Jornalista (Duque de Caxias/RJ)
Enviado em 16/5/2009 às 14:53:45

Às vezes parece que escrevo para não ser lida. Perco muitas vezes a mão do que estou escrevendo e falando porque simplesmente existem outras cabeças [chefe, orientação a ser dada na matéria] pensando comigo na hora de fazer uma entrevista. A credibilidade... nem eu acredito no que escrevo muitas vezes, não por inventar ou omitir alguma informação, mas por ser superficial e não escrever ou ir a fundo em alguma notíca tal como gostaria. O jornalismo foi posto em um formato no qual todos pensam do mesmo modo. É só ler a mesma notícia em vários jornais. Todas as matérias têm o mesmo primeiro parágrafo. A investigação requer muitas coisas: fonte, planejamento tempo... Este último não temos. Muitas vezes sabemos o que vamos cobrir um pouco antes de fazer a matéria. Aí vamos e recorremos a matéria de outros jornalistas para recuperar informações que são tão superficiais quanto eu mesma. O tempo e o pensamento que eu considero tão importantes no fazer jornalístico, são raridade. Temos uma imensa preocupação em divulgar as notas oficiais de secretarias, governos, polícia. E a realidade, quase sempre, está muito longo dessas cretinas notas oficiais. Descrédito, essa é a palavra. Foi o que mais me chamou atenção no texto. E à psicóloga que postou um comentário, eu digo que há jornalistas estão precisando e procurando as respostas para si mesmos. Essa é uma profissão em crise!!!
Júlio  Lins, Economista (Belo Horizonte/MG)
Enviado em 16/5/2009 às 14:47:35

Eu concordo com o autor, mas a crise econômica não está sendo muito relevante no Brasil, ao passo que outros países, principalmente os mais ricos, estão sendo assolados por ela.
Neto  Morais, estudante (Remigio/PB)
Enviado em 16/5/2009 às 11:44:22

Eu vejo exatamente assim como voce descreveu: será que eles (epidemia e a crise economica), eram tão relevantes como pareciam inicialmente?
Cristiane  Mota, Psicóloga (São Paulo/SP)
Enviado em 16/5/2009 às 11:24:02

Dentre perguntas não respondidas, uma não abandona minha mente: além das análises sociais e políticas, descortinando a nós o que é impróprio e descabido, irresponsável e irregular no nosso jornalismo, que ações, efetivamente, os críticos estão realizando para a mudança desse cenário? A menos que eu me torne jornalista e comece a fazer o trabalho que vocês dizem que os jornalistas não fazem bem, há alguma outra alternativa para que eu, mera cidadã, consiga ter acesso a informações de qualidade? Ler o Observatório da Imprensa começa a parecer ler qualquer coluna de crítica de arte: um tom intelectualizado e inoperante. Como jornalista, por que vocês não trazem as respostas que vocês mesmos dizem que seria obrigação do jornalismo fornecer? Ahhh... Muita conversa e pouca ação...
Comentário do Autor
Cristiane, Não oferecemos respostas porque ainda não existem respostas finais para as questões levantadas. Estamos no meio do processo de busca de respostas e a função deste blog e do Observatório é procurar oferecer o máximo possível de elementos parciais para que todos nós cheguemos a uma resposta capaz de nos tranquilizar minimamente. Não há mais condições de uma só pessoa, ou grupo de pessoas encontrar a solução para um problema tão complexo. O esforço coletivo é a alternativa mais viavel. Um abraço e volte sempre. Castilho
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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